segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Desperta!!!


No púlpito do abraço ecoa uma mensagem: "canta-me o leito de flores secas, não murchas ainda. secas apenas!" regá-las seria, a certeza de um ser-se assim sem pressas nem medos, de um ser-se só porque se é...grito-me a sorte de saber-me aqui, nas pedras que sopro o vento dos meditativos improvisos! sorrio e sei-o bem! sem nadas! nada, nenhures...nadas. sou-me assim...e nem dás por isso...cada que passa e me encontra em nada me ressuscita da noite maldita onde este silêncio podre me dói!traz-me e não me basto! porque vens maldito?! gritar-me a certeza de estar aqui, quando só quero aos sonhos cantar a canção que embala o pranto do bébé chorão! canta-me as borboletas de outrora, os rios e os pássaros que me fizeram canção quando era miserávelmente feliz na inocência do ser. ser só assim...e digo-me que já dessa menina não ouvem meus sonhos falar...porque a Noite! esta Maldita e Esquizofrénica Noite me escorre os sentidos, desperta-me o estar e nem me deixa gritar...traz-me a mim...Acordada, terrivelmente acordada e não me deixa embalar o canto dos pássaros perdidos que já fui, outrora... vem sono maldito, abraçar-me por horas neste leito vazio...onde não caibo eu!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Doce...lembrança!...


(E)História condensada...em pó de arroz.
Arroz doce!! (Abre a excepção!)
Eu?! guardarei o guardanapo...(tem lá pra mais de um mês!!) pode faltar o açúcar e tu sempre serás doce em mim! Doces as palavras! Doce teu Ser! Doce a lembrança!
Obrigado!

still night...still light! =))

Pura seda!!


Branco! Puro era o cristal!uma mesa posta...o requinte que emanava pelos trechos de um postal!Pai Natal! sentada.sedenta.sumida.sucumbida. renasce. uma Dama! uma Senhora! uma Mulher! sei-me assim, por entre os espelhos...incolor...longe...bem longe...VOA!...obrigado!

quarta-feira, 15 de julho de 2009


O tal...a tal...o nada...o cheirar a rato e a cão e ser muito melhor do que qualquer outro perfume...Teu...

Sem...Com...


Passeio-me com olhos chuvosos em dia de sol. Sapatos vermelhos nos pés. Ainda assim um ar triunfante, galante...a cidade nasceu pra mim. São tantos os olhares, tantos os medos, os risos...os beijos..desejos...penso que tudo é um nada...que a vida não é daqui, e no entanto...gemo-me nela! Bela!!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pinto-me...


Rasga-se a Arte e o medo, crio um Amor em segredo...impossível não falar! Teatro! Dali, Van Gogh sonha e renasce em mim...pinto-me.

Brindemos!


Hoje vesti-me de boneca...fisguei-te o sonho e roubei-te o medo...jogámos a um tom! pisei o chão sem mãnhas, sapatos vermelhos nos pés...lembras-te?! Era assim: pura seda em telhado de marfim!! e eu ria e dizia sempre e sempre SIM!!!

Paris!


Amar Paris é sempre estar vivo! Ainda sinto o cheiro e beijo o quartier latin! Bálsamo!!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Como me tens inspirado!!




Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
onnosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro"